Se fosse resumir a razão dos problemas coletivos do Brasil, desde o descobrimento até os dias atuais, diria que está no fato de que nós brasileiros temos o péssimo hábito de quando nos referimos à problemas conjugamos o verbo na terceira pessoa. É sempre assim: “ o problema é sempre deles. Porque eles fizeram. Porque eles não fizeram. O governo é corrupto, político não presta. O problema é a criminalidade, a impunidade. Ele isso, eles aquilo.”
Comece a reparar. Nós brasileiros costumamos achar que não é nossa, individualmente, a responsabilidade pelo resultado coletivo. Estamos sempre colocando a “culpa”, por assim dizer em alguém, alguma instituição, algum problema externo, no governo, nos portugueses que nos colonizaram, nos políticos, etc. Isso, em psicologia é chamado de Centro de Controle Externo. Achamos que tanto os problemas como suas soluções tem origem e salvação de um ente externo à nossa capacidade e atuação.
Vejam que interessante, e triste, como damos mais valor a produtos importados do que para nossos próprios - graças a Deus isso vem mudando. (Té vendo? Até eu estou aqui atribuindo a algo externo. Nesse caso, à Deus.) Esperamos um salvador da Pátria. Damos e delegamos ao nosso Presidente da República, quem quer que seja ele, a responsabilidade soberana sobre nosso destino. Nos damos ao luxo de não participar.
Temos feito pelo Instituto Acordem e Progresso (www.acordemeprogresso.org.br) pesquisas com várias pessoas, em especial jovens que participam das palestras promovidas pelo movimento. Elas mostram que um dos fatores que gera ou tem como origem esse comportamento é a nossa baixa auto-estima coletiva. Temos feito a pergunta “que nota você dá aos políticos brasileiros quanto a honestidade” e, na sequência, perguntamos “que nota você dá ao povo brasileiro quanto a honestidade” . Não nos surpreendemos muito em relação à média que se tem sobre os políticos (que tem sido de cerca de 2,5 de 0 a 10). O que nos surpreende negativamente é a média que temos obtido em relação ao povo (entre 5 e 5,5). Assim, constatamos que quem está respondendo, não só atribui uma baixa nota ao povo (mostrando sua baixa auto-estima coletiva) quanto não se inclui nesse povo - Como se dele não fizesse parte. Veja bem, com essa nota ficaríamos de exame em qualquer escola!
Imagine essas perguntas feitas à um grupo de hermanos argentinos. Independente da nota atribuída aos políticos, certamente a nota ao seu próprio povo seria bem maior que a que damos a nós mesmos.
Já reparou em rodas de conversa e bate-papo informais quando alguém se refere ao povo ou aos brasileiros? É sempre a mesma coisa: “Os brasileiros...”, “O povo brasileiro...”, “o brasileiro é isso, o brasileiro é aquilo”. Como se não fossem também brasileiros.
Dado essa pesquisa que temos feito, somadas a outros estudos, estatísticas e observações, podemos concluir que NÓS BRASILEIROS precisamos começar a usar a PRIMEIRA PESSOA tanto do singular quanto do plural quando formos nos referir a nós mesmos, a problemas de nossa pátria, ou a nosso povo.
Ou seja, vamos sempre dizer: NÓS BRASILEIROS. NOSSO POVO BRASILEIRO. Eu que faço parte do povo brasileiro. Nós somos isso, nós somos aquilo.
Apenas com esse hábito já começaremos a mudar o pensamento coletivo de que não é possível melhorar ou que não fazemos parte da solução. Cabe a cada um de nós fazermos nossa parte.
Isso é cidadania. Isso é o papel de um povo. E eu estou a fim de fazer a minha parte.
Concorda? Discorda? Dê sua opinião pelo lucas@acordemeprogresso.org.br ou deixe um comentário. Me siga no twitter @fernandolucas

Concordo plenamente, e acho que isso está diretamente ligado com "tomar responsabilidade". Se sentir responsável pelo seu lixo e pelo lixo que está na rua. Ter a iniciativa de recolher algo do chão. Tomar responsabilidade pelo espaço público. Se sentir dono do ônibus, do metrô, das praças, e cuidar delas. Podemos tomar a resposabilidade de mudar o mundo mudando primeiro a nossa visão em relação a ele.
ResponderExcluirConcordo com você. Temos um tanto de trabalho pela frente para acabar com esse conceito. Parabéns pelo excelente texto!
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